segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Alquimia diária...

Da claridade que tanto dilatara a pupila
Vazou cadente uma sombra ligeira
Penetrou na retina que como peneira
Sugou o medo do escuro vão abstrato

Caiu do despenhadeiro o moço inquieto
Com medo do escuro que a claridade lhe trouxera
Moveu seus pés ao vento pobre da miséria
Sorriu da morte, que não lhe fez cortesia

Abriu em seu peito a fome, uma cratera
Da alegre luta de ser pobre
Preferiu seguir à luz da humildade
Do que à sombra traiçoeira da riqueza.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A nova vizinha...


Todas as tardes, em minhas desventuras em direção à padaria ou indo à casa de meus amigos, sempre passei naquela calçada. Sempre olhei para o lindo jardim dos vizinhos. Não que me causasse inveja, era só por achar bonito mesmo. Eu nem tentava cuidar de um jardim, achava muito despendiosa essa tarefa. Um dia desses um carro de mudanças chegou trazendo novos móveis, novos moradores e uma nova flor ao jardim. Não digo literalmente, mas era a moça que viria todas as tardes cuidar daquelas flores que tanto admirei. Não sei o que mais me encantava, se eram seus cabelos caindo por cima dos olhos, seus lábios gordinhos, tua sobrancelha levemente inclinada ou sua delicadeza com o jardim... O problema é que agora eu passava na calçada, dava um oi pra flor, digo, pra moça, mas as outras eu esquecia, não me chamavam tanta atenção. E essa moça foi me cativando com seus breves acenos, breves sorrisos e breves olhares... Chegou ao ponto de eu suplicar à minha mãe que me mandasse à padaria ou à casa de alguém que morasse depois da casa da vizinha todos os dias!
Após dois dias que não a via, decidi perguntar porque ela faltou com as flores, e talvez, conhecê-la mais um pouco. Fui pela manhã na casa da moça e um rapaz atendeu a porta, possivelmente seu irmão mais velho.

- Olá, eu gostaria de falar com a... menina do jardim... Não lembro o nome dela, mas sempre conversamos quando passo aqui. - Me senti meio constrangido em nunca ter perguntado o nome dela e ter que mentir assim.
- Ahh, você está falando da Juliana? - O rapaz parecia meio abatido.
- Siiim, Juli, exatamente, ela está? - Avancei na minha cara-de-pauzisse.
- Ela veio morar aqui por um tempo, sabe, mas teve que voltar pra Porto Alegre, pra casa de nossa mãe.
- Ok. Ela volta quando? Sabe dizer?
- Não sei. Ela apenas pareceu estranha e deixou um bilhete para eu entregar ao "garoto dos pães". Sabe quem é esse? É você?
- Sim. - Fiquei sem saber o que dizer. Aquela moça, a maior motivação dos meus dias, lembrou de mim!

O irmão da Juliana trouxe-me o bilhete e fui embora, agradeci-o pela hospitalidade. Mais tarde tornaríamos grandes amigos. Ao chegar em casa, abri o bilhete, percebi um perfume de flores, talvez o próprio perfume da moça das flores. E nele haviam as seguintes palavras:

"Oi garoto que gosta de comprar pães todas as tardes, ou simplesmente de passar na frente da casa do meu irmão. rsrs... Espero que você tenha vindo me procurar, ou então nunca irá ler essa carta. Gostaria de deixar uma tarefa simples pra você. Converse com meu irmão e cuide das flores por mim. Tive que voltar pra casa pra começar um tratamento, embora não terei muito tempo. O médico disse que seriam algumas semanas, ou um mês talvez. Mas a doença que possuo é rara, talvez sem cura. E há algo que preciso te contar mais que tudo: me encantei demais com você. Guardarei todas as tardes em meus pensamentos, até meu último dia. Cuide das flores por mim, moço dos pães, como cuidaria de mim. Talvez eu não volte."

Após ler este bilhete, demorou um pouco para que a "ficha caísse" realmente. Algumas lágrimas caíram do meu rosto, evidentemente. Nem porisso deixei de todos os dias ir à casa do Jeferson, irmão da Juliana, cuidar das flores que foram cúmplices do que sentíamos... Embora algumas vezes eu às regasse com minhas lágrimas incontidas. A moça das flores... Ela não voltou. Mas cada flor que desabrochava diminuia a tristeza e o tempo que perdi e poderia ter usado para ficar ao lado dela.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UM DIA NORMAL...

Acordei normalmente, com minha irmã mal-educada conversando em voz alta com minha mãe na cozinha lá pelas 9:30hs. Quando tenho coragem e estou com muito sono eu grito "cala a boca, fala baixo!!!", mas hoje tive preguiça e me levantei mesmo. Fui tomar café na sala assistindo normalmente Ben 10 ou Hot Wells, mas havia uma amiga da minha irmã na sala. Ela poderia achar "um cara de 21 anos assistindo desenho... Quanta infantilidade.", então fui pro computador tentar fazer meu relatório da facul acompanhado de salgados que restaram de ontem, um Club Social e um copo de iogurte (comida de macho!).

Como normalmente faço, deixei as janelas do word abertas e fui olhar minhas redes [anti]sociais. Fiquei nelas manhã e tarde, almocei na frente do pc, e adiei novamente o término do relatório. Fiquei feliz que a bela Lara Oliveira (do Memórias Escritas) me aceitou no Face, apesar que ela já tem mais de 800 amigos por lá! Às 16:30hs fui à academia, malhei perna, não falei com ninguém, mesmo já estando por lá há uns 3 anos... Não vou com a cara de muitos por lá. Cheguei em casa correndo, eram quase 6 horas, pra ver a linda da Bia Arantes, que faz a Aléxia de Malhação... E eu assisto mesmo, não apenas pra vê-la, mas também pra ouvir Frejat, Marcelo Camelo, Criolo, e algumas bandas americanas bem legais (a trilha sonora é boa!).

Após esse dia normalmente metido a adolescente, fui pra Igreja encontrar amigos e participar de uma reunião (aliás, duas reuniões, simultaneamente!). Conheci uma moça bem legal e bonita, aparentava ter uns 20 anos, mas me disse que tinha 17. Isso que é complicado nas mulheres... Umas tem 20 com jeitinho de 15, outras tem 15 com corpo e mente de 20. Enfim, 22hs já estava em casa, lidos alguns versículos bíblicos, cozidos alguns ovos e de volta ao computador e ao relatório.
Esse foi o dia 25/01, ontem, um dia comum.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Viver empírico...

Ame até não viver mais
A vida sem amor é existência
E existir não tem graça...
Sorria de sua tristeza
Assim ela vira piada
E não fará mal...
Levante-se se não dorme
Assim o sono irá te buscar
Já que você desistiu dele...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O inexplicável do amor...

Talvez eu devesse reduzir esse post ou não escrever nada. Sim, pois o amor é inexplicável... E tentar explicá-lo só o torna ainda mais confuso... E essa confusão que torna o amor tão bom, tão diferente das outras coisas, dos outros sentimentos... Quando não retribuído, te faz insistir e desistir ao mesmo tempo. Te faz sorrir e chorar ao mesmo tempo. O amor te faz fingir... ódio, raiva, fingir irritação... O amor te faz refém de alguém que é seu refúgio e não seu cativeiro! Até pensa-se em fugir, mas é tão bom, tão gratificante, que a fuga seria uma tristeza, bem mais do que uma derrota! Nem adiantam suas palavras, suas atitudes, seu sorriso... O amor por si só já basta, já prova o que se sente. Dele que surgem tais consequências... Sim, palavras, sorrisos, atitudes (telefonemas, mensagens e blá blá blá) não são formas de alcançar um amor, pois quando utilizados em demasia já são consequências, já é tarde demais, o amor já está presente a bastante tempo! O amor e suas consequências... Aliás, nenhuma delas é ruim, pois amor não implica reciprocidade, embora também implique sofrimento! Os que amam são mártires... Ahhh sublimes mártires do amor, sei como se sentem. Sentem-se bem, sentem-se enganados, sentem-se fortes, sentem-se humilhados... Talvez não devesse um sentimento desses humilhar tanto o homem... Mas talvez se não o humilhasse, o homem não reconhecesse a grandiosidade de amar.

Bom, estou com muita inspiração ultimamente, mesmo não querendo atualizar o blog constantemente... Mas é que o amor me chamou, e cá estou. Rsrs... Até mais galera, minhas aulas só voltam em março, vou curtir muito esse verão! Fiquem com Deus!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desistências...


-Agora chega!
Nem seu sorriso meigo,
Nem sua voz suave,
Nada vai me fazer continuar insistindo.
Desisto!
Nem o seu perfume agradável,
Nem seu cabelo cacheado,
Nem seus olhar doce, nada!
Nem suas atitudes suspeitas
Nem seus abraços demorados, nada.
Nem suas piadas engraçadíssimas,
Nem suas chegadas inesperadas...

Após a longa justificativa, ele percebeu que realmente deveria desistir. E desistiu de tentar esquecê-la.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A chuva que não veio...

Do céu pesado caiu
Uma gota d´água
Única e singela
Que tocou minha testa.
Levantei-me sorrindo,
Apanhei um balde
E o coloquei sob a grama.
Não vieram mais gotas.
Talvez o céu desconfiara
Que eu tivesse recusado suas lágrimas.
Eu apenas queria guardá-las...

Feliz 2012! Opa, até que demorei menos para voltar, embora não sei a frequência com que vou atualizar o blog. Então apreciem com intensidade cada post, com a mesma intensidade que eu os criei, como filhos! Rsrsrs... O ano não começou muito bacana pra mim, mas o bom é que assim o melhor vem no final! Haha, até mais ver!!!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Argumentos insólitos para o fim de um sentimento insólito.

Há quem diga que o amor é irracional e "ineliminável". Há quem diga que o amor não existe. Eu porém, digo que ele existe e pode ser eliminável. O amor só se vai quando você aprende a viver sem a pessoa... Como aprender a viver sem oxigênio? O oxigênio é químico, mas o amor é químico e psicológico... Não há como esquecer alguém convivendo com essa pessoa. Logo, afaste-se, mesmo que aos poucos, não será tão difícil assim... Você precisa confiar em si mesmo, já que estará mudando a base da sua vida, mudando de alguém para você mesmo. Não procure, não ligue, não escreva, não guarde lembranças, apenas seja racional e tudo voltará ao normal, mesmo que você ainda sinta algo. Se a pessoa te procurar é porque ela quer te ver sofrendo, apenas isso, pois como diz um grande amigo meu: "as pessoas gostam de se sentir queridas, porisso buscam quem as amem", e isso NÃO implica reciprocidade! Em poucas palavras, vale aquela velha história: afaste-se mais do que o suficiente para que você sinta saudades, afaste-se mais para que você aprenda a viver sem a pessoa.

(Obs.: Algumas pessoas vem me perguntar sobre essa história de sentimentos... Espero que esse texto possa ajudar, assim como espero que ele venha a me ajudar também. Gostaria de agradecer as visitas no meu blog que estão aumentando bastante. Deixarei o blog um pouco de lado nesse fim de ano, como sempre faço, pois tenho muitos afazeres acadêmicos e férias para aproveitar, mas espero voltar ano que vem com todo gás e com novos sentimentos. Até mais amigos, bom Natal e ótimo Ano Novo!)

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Palhaço artista de ar triste


-E tú gosta de fazê-la sorrir?
-Sim, essa é minha função!
-Ahh, como profissão?
-Não, como forma de reduzir minha tristeza...
-Desde quando O Palhaço se entristece?
-Desde quando aprendi a não viver sem o sorriso dela, desde quando aprendi a amá-la... Mas sofro escondido no camarim ou atrás da lona do circo... Me escondo só pra ela não me ver chorando e começar a rir achando que é mais uma das minhas piadas bobas...
-Desista dela então, ela está lhe fazendo de "palhaço"!
-Não posso meu senhor, pois o sorriso dela me faz sorrir de volta.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Teu sorriso refletido no espelho do meu sonho...

Cheguei no salão localizado no primeiro andar, onde já haviam cerca de 10 pessoas, não me lembro ao certo. Naquela tarde haviam vários sorrisos e você dançava com um desconhecido... Não sei como, mas você estava dançando! Havia um espelho encostado em uma parede do salão. Eu logo fixei meu olhar no espelho... Nenhuma daquelas pessoas felizes desviaram meu olhar do espelho, pois ele refletia diretamente para onde você estava. E então surgiu teu sorriso, meio tímido, porém contínuo, ao perceber que eu a observava dançando. Você parou por um segundo, seu parceiro de dança havia sumido, e continuamos nos olhando (indiretamente) pelo espelho. Depois, sentei-me distante e não trocamos sequer uma palavra até o sonho acabar... Talvez não precisasse das palavras, apenas te ver feliz foi suficiente para que meu sono se fizesse tranquilo. Era isto, talvez, que meu inconsciente queria! Meu consciente, porém, queria ao menos um abraço... Não creio que seria pedir demais!