Eu tinha uma coleção de bolas de gude. Certa vez minha mãe disse "menino, porque tu guarde isso? Tu não é mais criança". Eu disse que queria guardá-las para brincar com meus filhos e dizer "essas bolinhas eram do tempo que papai era da sua idade". Deixei só as mais raras, a maioria eu joguei fora.
Eu tinha uma coleção de cartões telefônicos. Certa vez meu pai perguntou "rapaz, por que tu guarda isso?" Eu disse que não sabia e terminei jogando fora. Deixei só os mais legais.
Eu tinha uma coleção de amores. Certa vez meu amigo disse "viado, pára de lembrar dessas meninas que te fizeram sofrer, porra". Eu disse que ele estava certo... Esqueci quase todas, só fiquei com a mais linda, rara e especial.
Agora eu tenho uma coleção de poemas que faço para o meu amor. Hoje ela descobriu e perguntou "por que tantas frases lindas?". Eu disse que era minha mais nova coleção. Ela me beijou e foi brincar de bola de gude com o Rafa, nosso filho lindo, no chão da sala. Aliás, no chão que estava muito bagunçado com os cartões telefônicos do papai que ele também fez questão de espalhar.
É nesta geladeira de palavras que conservo o que sai dos meus pulmões. O que expiro, não como um ar qualquer, mas como um ar de amor.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
A moça do perfume doce...
Eu a vi hoje cedo, com seu vestido azul, cheio de florzinhas amarelas... Era sim um vestido lindo, típico daquelas meninas doces e bem comportadas, dignas de um casamento eterno. E o formato de seu corpo era tão discreto, suas curvas eram tão harmoniosas que me seduzia sem precisar de exagero nenhum. E quando ela andava contra o vento, que maravilha! Seus cachos saltitavam nos seus ombros, e alguns até voavam, fazendo bungee jumpings mais lindos do mundo! E quando ela passou do meu lado então? Nossa, que perfume delicioso, tive vontade de acompanhá-la até a mercearia do seu Pedro, mas quem disse que a vergonha deixava? Fui nada, fiquei esperando ela voltar, que eu sou besta. E quando ela voltou, vocês não adivinham o que foi que eu fiz? Isso mesmo, não fiz nada pela segunda vez. Fiquei só olhando ela passar, abestalhado como sempre. Aí vem o mais surpreendente... Ela me viu! Sim, me viu quando passou, olhou por cima dos ombros, voltou e perguntou o que eu estava fazendo. E sabe o que respondi? Estou fazendo nada. Então ela sentou do meu lado, no batente da minha porta e disse: "posso ficar aqui um pouco, fazendo nada contigo?"
sábado, 26 de maio de 2012
Pequena insólita...
Essa menina que teima em negar nossa felicidade... Não sei o que faço com ela... Quero colocá-la no meu colo, dar uns beijinhos, passar horas sorrindo feito bobo ao lado dela, ao redor dela, em cima dela, em baixo, dentro, fora, como for! Mas como? Ela não deixa, ela nega, faz drama, reclama e se esconde. Às vezes tenho vontade de dar o fora, meu coração pede isso! Poxa, já me iludi tanto e não aprendi? Será possível que não haja uma só criaturinha tão terna e tão amável? Eu procuro tanto e só acho menina sem graça, cética, ou que fuma, ou que bebe cachaça... E se eu ficar com outras e essas me suprirem? Será que essa menina será feliz com alguém que não a ame tanto? E logo eu que não fiz plano algum, só disse que queria ser feliz com ela! Custa muito ela pedir "vem me ver"? Custa muito ela saber que outras estão a me querer? Enquanto eu morro sem saber e ela continua com essa infantilidade, vou continuar jogando pokémon no meu pc...
terça-feira, 22 de maio de 2012
No interior do meu coração
Desceu um vento duma brabeza desgraçada
Lá pras banda da ladeira de São Pedro
O sino da capelinha lá na praça badalô sozin!
Até os cabrito de dona Lurde avoaram
E foram parar no pé de Algaroba da mãe do Zé
E o Zé todo afobado: “Vixe Maria, aqui tem um pé de Cabrito,
mãinha!”
E os menino meteram pedra pra derrubar os danado dos cabrito
maduro...
O vento ainda meteu terra nos zóio do goleiro do meu time
Que, aperriado, levou uma topada n’uma das trave.
Só vi o Damião jogando longe a danada da pedra. Oh, Damião
véi doido!
Aí o jogo acabou, e fui vê minha frorzinha de algodão
Ela tava tão bunita na calçada de vó
E seu cabelo formoso avoava com o vento, a coisa mar linda
E o vento safado, ainda por cima levantô a danada da saia de
minha flô
Vó na cadeira de balanço nem ligou
E eu mais os menino até achamo que era a Merili Morrou.
Na verdade néra não, quando ela me viu deu um pinote
E eu, dei uma carreira, ganhei um bejo e um abraço do meu amô!
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Dos sublimes reencontros...
As mulheres nas ruas, as garotas nos shows, as
gostosas da praia... Todas elas não me fazem falta, não me interessam e não me
chamam mais um pingo de atenção... Não me tornei gay, padre ou assexuado...
apenas te conheci. E por ter te conhecido, amei demais, nem tive tempo para me
apaixonar, já fui logo pulando pra parte do amor. E assim, com tanto amor, te
peço que não me venha menina se não for com amor, pois já sabe o que faço... Te abraço e não te
largo nem por decreto do presidente assinado... Aperto teu nariz, acaricio tuas
sobrancelhas, aliso teus cabelos... e depois os assanho com minha barba mal
feita... E faria até mais se também confessasse que me ama. Por isso te peço:
não me venha menina, não me venha se não me ama.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Mesmo quando...
Te amo e te amava... mesmo quando amavas outro, quando me desprezava, quando me procurava sem eu querer, quando me substituía, quando abraçava outro, quando ria do meu sentimentalismo exagerado, quando não correspondia às minhas declarações, quando chorava por outro, quando me abraçava e eu te odiava, quando eu te abraçava e me odiava, quando sumia sem me dar motivos, quando voltava em segredo enquanto eu queria te esquecer, quando suplicava um beijo que não podia ser dado, quando sorria e me fazia te querer, quando mentia o teu próprio querer... E por tudo isto, eu também te odeio... com todo amor que eu tenho.
sábado, 28 de abril de 2012
Trajes e ultrajes
Diariamente me visto de caminhos diferentes... Às
vezes prefiro um estilo casual, tentando encontrar o amor na esquina... Outras
vezes, prefiro um estilo clássico, recorro aos versos e às canções que falam de
amor... Na maioria das vezes procuro me vestir meio despojado, fingindo pra mim
mesmo que o amor não combina comigo e que seria melhor escolher o que der
vontade. Independente do estilo, apenas um perfume combina comigo. É por isso
que nenhum caminho mudará o que sinto e o que sentem enquanto passo... É por
isso que te conservo firme, como a minha mais pura essência.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Tá bom...
Pra onde é que você foi
Que eu não te vejo mais?
Não há ninguém capaz
De ser isso que você quer
Vencer a luta vã
E ser o campeão
Pois se é no "não" que se descobre de verdade
O que te sobra além das coisas casuais
Me diz se assim está em paz?
Achando que sofrer é amar demais..."
(Los Hermanos)
Bom galera, eu estava devendo alguma citação nesse blog... Sempre escrevo o que gosto, mas esqueço de também citar o que gosto! Daqui pra frente irei colocar essas poesias/músicas que me encantam! Abraços!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Fragmento do que nunca foi dito...
Nunca te direi dos versos
Dos versos soltos no vento
Do vento solto no espaço
Do espaço que não me cabe
Nem porisso me acabe
Nem me falte
Nem me multe
Mas se quiseres, me insulte
Por eu não te dizer dos versos
Que completamente imersos
Flutuam no universo
Do amor que não contido
É fragmento reduzido
Em um poema tão modesto
sábado, 7 de abril de 2012
Meu EU independente...
Descobri nos ângulos dos ponteiros
Que não possuo independência
Sou movido pelo tempo [e seus ausentes]
Num discurso que sempre faço
Avulso, diga-se de passagem
Refém da saudade e do medo
Visto-me do sentir incontido
E o meu eu independente
O amor, visionário inconsequente
Me diz que nunca deixarei de tê-lo.
Que não possuo independência
Sou movido pelo tempo [e seus ausentes]
Num discurso que sempre faço
Avulso, diga-se de passagem
Refém da saudade e do medo
Visto-me do sentir incontido
E o meu eu independente
O amor, visionário inconsequente
Me diz que nunca deixarei de tê-lo.
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