quarta-feira, 8 de maio de 2013

Aqui jaz uma infância.

Caí do berço
Dentro de uma cova
Caí de frauda
Cova funda
O terno à espera
Ainda tentei subir
Mas já havia perdido
O ar que neguei
Do tempo que perdi...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MAIS UM XÊRO...

Até certo tempo o amor era um estranho. Além de estranho, assustador. "Longe de mim o amor, meu senhor. Longe de mim, por favor!". Hoje ecoa sobre os quatro cantos do meu coração. Tem um som agradável, uma melodia que traz paz. Sim, quase me matou, e daí? Não morri, aqui estou. Gostaria de confessar que estou com medo. Óbvio, o amor surge como uma paixão que vai sendo peneirada. Cada dia que passa parece um último suspiro, uma última prece...  principalmente quando se já conhece o bastante sobre suas artimanhas. Ora, hoje acordei e pensei "será que minha oxitocina ainda está elevada? E minha serotonina?". Acordei pensando também "será que já enjoei dela? Será que enjoei de tantos mimos fofos?". Sabe, esse medo diário de que o amor suma de repente sem deixar bilhete do lado da cama, ou na porta da geladeira, me assusta bastante. Mas que surpreso eu fiquei ao acordar e o amor continuar ali no mesmo lugar. E mais um dia, e uma semana, depois outra, e aumentando... e vai ficando... e a gente ficando. Até que o medo se vai e a confiança impera. O ciúme aumenta, mas às vezes pára. E, quando menos espero, você vem e me pede um xêro.

Obs.: No Nordeste, "xêro" ou "xero" equivale a um beijo, ou um cheiro (do verbo cheirar mesmo), principalmente no "cangote" ou na boca. "Cangote" é a parte entre o pescoço e o ombro.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Do inferno ao céu...

O inferno é não amar
Não ver o mar
Não viajar

O céu é ter amor
Pagar de cantor
É ver nascer a flor

O inferno é esperar
Negligenciar
Não se entregar

O céu é sorrir
Ao ver a chuva cair
O coração abrir...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Andando distraído me tornei um ex-romântico...




É desesperador quando se fecha os olhos e não lhe vem o sorriso da pessoa que por anos foi um grande amor. É ensurdecedor o grito de seu cérebro aflito em busca de algo para se apoiar. Não falo de um amor divino, pois este continua sendo o meu porto de descanço espiritual. Falo dos amores terrenos, perdidos em meio ao nosso egoísmo diário.


Somos hipócritas demais, e acho graça disso. Acho graça porque enquanto eu reclamo por alguém que eu gosto e não me quer, existe alguém que eu faço questão de me afastar, mesmo sabendo de seus sentimentos por mim. E tem mais... Não quero saber, pois se não amo, não há nada injusto no meu não querer. E se a pessoa que gosto não me quer também, não há nada de mau nisso, embora não me impeça de mandá-la ir se ferrar. E quem não me ama também deve dizer constantemente "foda-se Hugo"... Eu sei, o amor não-recíproco é uma merda...

Foi no meio desse jogo sujo de tentativas e erros, dessas flechas filhas da mãe que um cupido desgraçado não acerta, dessa corrente de gostar do que está na frente sem olhar pra trás, que fui perdendo a fé no amor. Porra de amor.. Escrever poesia é muito bom. Amar não é, amar é fóda. É como dar um tiro no próprio pé e sair gritando eufórico de felicidade para encobrir a dor.

Hoje em dia não mais me vejo apaixonado. Aliás, se me verem apaixonado por aí, tratem de jogar um tijolo na minha cabeça ou me internar em um hospício. O amor é uma loucura. Mais que isso, o amor é um AVC, um acidente vascular cerebral. Chega de repente, mesmo com sua prevenção, mesmo com sua vida normal. Surge do nada e pode até te matar.


domingo, 18 de novembro de 2012

SORRISO INCONTIDO...

Sorriso deflagrado em sentimento puro
Que de tão ardente
Retirou-me a pele do receio escudo
Implodiu o medo
Libertando de um cárcere o beijo
E no segundo ato, digo, sorriso
Mostrava-me o mais terno alívio...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O simples cativo.

Na primeira vez que te vi, tu estavas bonita e produzida, como um atriz de tv. Na segunda vez, estavas bonita e doce, bem arrumada com um vestido florido. Na terceira vez que te vi, tinhas acabado de chegar do trabalho e estavas linda depois de um dia cansativo de trabalho. Na quarta vez, estavas com cabelo bagunçado, camiseta surrada e short simples, molhado por causa das roupas que estavas lavando. Estavas estupidamente e irritantemente linda daquele jeito. Foi aí que me apaixonei.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

DE MULHER À MENINA...

A menina caía sobre meus braços, despertava meus sorrisos e minha preocupação. A menina bagunçava seu cabelo e conseguia ficar ainda mais linda. Como era possível? Bagunçada, desajeitada e cada vez mais linda! E ela também sorria bastante... Até que ficou séria de repente, falou sobre política e sentimentos [a falta deles]. Depois a mulher se cansou e voltou a ser a menina que se lançava sobre meus braços... tentando medir a intensidade, não da minha força, mas do meu riso.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

ENAMORADOS

Surgiu em minha vida como a água que brota nas areias do deserto mais tórrido. E de tão preciosa, achei que fosse ilusão. E de tamanha ilusão, achei que eu não vivia mais. E nesta morte momentânea, me precipitei em intensificá-la. E nos beijamos. E a água que brotara no deserto matou minha sede [e me cativou] ternamente.

domingo, 26 de agosto de 2012

SOBREPOSIÇÕES...


"Foi quando a ficha caiu que então eu vi você diferente... não quero mais a sua boa intenção... Mas se você fosse um grande mal pra mim, tudo agora doeria bem menos, ou se eu nunca tivesse sido feliz... Hoje eu não sou mais o seu amorzinho, não quero saber do seu medo da vida, eu vou descobrir outros caminhos e não tô com pressa de achar a saída... Não tente mais me agradar pra disfarçar o seu desejo, o sonho ficou lá pra trás e não há lágrima que dê jeito..." (Frejat)

Na verdade eu iria resolvi fazer uma sobreposição com alguma música do Renato Russo, mas todas tinham muito de saudade. Porém, achei uma com desfecho de arrependimento um pouco diferente...

"Eu não me perdi e mesmo assim você me abandonou... Você quis partir, e agora estou sozinho... Mas vou me acostumar com o silêncio em casa, com um prato só na mesa. Eu não me perdi, 'o sândalo perfuma o machado que-o feriu'... Adeus, adeus, adeus meu grande amor. E tanto faz... de tudo o que ficou, guardo um retrato teu e a saudade mais bonita. Eu não me perdi e mesmo assim ninguém me perdoou... Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom... Não sei por quê acontece assim e é sem querer o que não era pra ser... Vou fugir dessa dor, meu amor... Se quiseres voltar - volta não... Porque me quebraste em mil pedaços..." (Renato Russo)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Precipitada sobre o amor-próprio...


Vi uma estrela cair no oceano
Achei até que fosse engano
Creio que ao ver seu reflexo
Encantou-se e caiu
Cadente feito um anjo
Beijou o espelho d'água
Morreu com seu próprio encanto.
Achei que era amor próprio
E era parte de seu plano