quinta-feira, 30 de julho de 2015

A FUGA DO TITAN

O descalabro moral da civilização das pedras
Acordara quimeras erguidas sob um sol escaldante
Que rugiam em desafio ao mar, divino e quente
Partindo o casulo do mais sombrio medo

Sob ondas fortes, soltam-se as rochas
Um paredão mais frágil que a água
De tentações torturantes e secas lágrimas
Um Titan levanta e acorda a terra

Move-se como uma montanha inteira
Com gárgulas inquietos em seus ombros
Carrega para longe do mar um pesadelo
O medo da erosão que o pecado trouxera

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Amor que chega atrasado...

Amor que chega atrasado
Sem pressa, sem pretensão
Sem ao menos um relógio na mão

De repente são duas horas
Sentado no canto, eu canto
Sentindo que perdi o tempo

Me lanço na imensidão
Da amargura de um amor frustrado
Furtado, agora jaz meu coração

Eu que demorei tanto para amar
Agora padeço por te ver em braços
Caindo em outros desembaraços
Pelo amor de um senhor
Com um relógio um pouco menos atrasado...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

GAROTA PRA CASAR...

Vi aquela garota correndo novamente pelo parque
Estava tão menina que me assustava
E tão mulher que me acalmava
Tão feliz que me ressuscitava
E tão triste que meu pranto estimulava
Tão graciosa que me enciumava
E tão modesta que me apaixonava
Era a mais bela contradição feminina que eu já avistara
Conduzia-me ao inferno com seu corpo escultural
E ao céu com toda castidade que se mostrava
Não era cruel e nem santa... Era, talvez, quase santa
Era a menina que os meus olhos cativou
Tornando-me propenso ao "martírio" [ para quem não ama]
De uma vida monogâmica, matrimonial
E de filhos a se esquecer os nomes.

AMOR PASSADO PRESENTE...

Tão sentimental quanto uma pedra
De amor tão reluzente quanto a sombra
O que sobra do teu mais terno sentimento
A dor saudosa, passado presente?

Nem o vento leve e frio
Nem as ondas calmas da tarde
O que de mais valioso eu trocaria
Por teu sincero abraço?

Ouço passos seus por onde passo
E sua face por rostos desconhecidos
Vejo todo amor por mim perdido
Em qualquer soneto despedaçado

Resta-me querer e escrever
Sem arder em febre e arrependimento
Que teu olhar era o de mais lindo encantamento
Entre todos os que tive de perder;

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A MORTE DE UM GRANDE AMOR...


"Ela morria em meus braços. Estava distante, mas morria em meio a soluços, lágrimas de felicidade, e alguns bips chatos do celular. Morria enquanto eu confessava minha saudade e ela me dizia "vai dar certo, mô". Morria, mas vivia intensamente enquanto a ilusão do amor tentava manter viva nossa promessa de "juntos para sempre". Eu talvez não tivesse certeza disso na época, mas nunca encontraria alguém que me despertasse tamanho sentimento. Era única. Ainda o é, em meus pensamentos e em meu coração. A moça doce que foi o grande amor da minha vida não existe mais. Era o "grande amor" por ser intensamente recíproco, diferente de outros romances que tive, unilaterais. Tivemos de nos afastar na metade de Outubro de 2013, e, de repente, tudo muda... A minha pequena cedeu lugar a uma garota totalmente diferente, que não me deve mais satisfação, nem promessas. Talvez ela tenha tido amnésia e esquecido do quanto fomos felizes, não sei. Quem apostaria que aquela última ligação, no Natal de 2013, seria uma despedida e não um recomeço? Quem diria que após a velha melosidade "desliga você, não quero desligar" repetida várias vezes por ambas as partes, até chegarem ao fim todos os créditos e bônus, não nos telefonaríamos mais nenhuma vez? Não tenho certeza do que aconteceu, mas sei como pareceu. Foi como um bilhete deixado na porta da geladeira pela manhã, escrito "Não te amo mais, precisamos nos afastar. Beijos." Confesso-vos, caros leitores, de que deve ser o amor demasiado que  ainda a prende em mim, por versos e por pensamentos, como um senhor de idade que se prende a sua senhora amada e vítima de  Alzheimer, na esperança que ela possa lembrar de quem ele é e foi. Ou talvez a esperança do rapaz que vê sua jovem amada morrer (literalmente) de certa fatalidade e ainda reluta em acreditar na sua morte. Neste caso, não há amnésia, apenas o destino separando amores. De todo modo, sou refém do inconformismo de ver sua amada morrer e não saber o que fazer para reanimá-la."
(Invente um pseudônimo qualquer e me retire o fardo desta confissão)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O renascimento do amor

O amor é o que mais morre, incomoda e renasce
O matamos cruel e incansavelmente diversas vezes
Padecemos loucamente por vários meses
E retornamos sutilmente ao mesmo impasse

Ora, se o amor químico dura sete anos
Como eu poderia limitá-lo a um ano
Seria possível isto a um mero humano
Enganar-se de que não havia feito mil planos

Contudo, morre o amor com a mesma intensidade
Que sorrimos por tórridos instantes
E que a morfina desencanto nos é tranquilizante

Esquecemos finalmente do que fomos antes
Nos encantamos na rua por outro semblante
De repente, não existe mais qualquer saudade

Entre sofrer e prazer...

Ah, o nosso visitante sofrer

Às vezes é loucura

Às vezes teimosia

Às vezes é casa escura

Às vezes cama fria

Quem melhor valorizaria o prazer?

sábado, 7 de junho de 2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Crônicas de um traumatismo craniano...

Já era tarde. Tão tarde que se confundia com o dia. E naquela madrugada fria, um cantor deturpado ousava se por aos pés da escadaria. E cantava como se não houvesse mais dia, como que seu desespero fosse o mais terno sentimento, não o mais assustador. Mas era assustador. E da sacada do prédio, sua amada pouca coisa entendia. Achava lindo tamanha ousadia, mas entender que é bom, não entendia. Dali a alguns instantes, ela já muito cansada após filmar a loucura de amor e colocar no Youtube, arremessa flores ao seu admirador. As flores estavam dentro de um pesado jarro, mas isso não importa. O importante  é que o cantar foi ouvido... e respondido. Tanto que ao ser atingido pelas flores, o rapaz entrou em um forte e apaixonado sono. Bem, pelo menos é isso que noticiavam os jornais daquele mesmo dia.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

DIA DESSES...



Dia desses eu comecei a entender o que a afeição de um casal significa. Carinho, atenção, cuidado, sorrisos... Essas coisas bem simples, sabe. Tudo isso me veio à tona após ser desafiado por uma pergunta sobre companheirismo, de certa forma, difícil. A pergunta foi a seguinte: Se você só pudesse escolher entre apenas sexo e apenas carinho, qual você escolheria para o seu relacionamento? Depois de refletir muito, escolhi carinho. Sim, sexo é fóda, oh my god! Mas haverá um momento que só isso não terá graça, ou então o casal não poderá mais fazer.  Já carinho a gente pode fazer até com o olhar. Outra coisa que eu percebi é  que romantismo demais enjoa, fica chato. Não que eu ache démodé, longe de mim! Acho fofo o romantismo de vez em quando, principalmente quando é inesperado. Romantismo em datas especiais é bom, mas é bom fugir das regras às vezes e aplicá-lo, por exemplo, numa segunda-feira à tarde, mesmo não sendo nenhuma data especial. E sabe um jeito bom de fugir das regras? Com sorrisos. Ah, prefiro um relacionamento engraçado a um relacionamento sério, viu. (literalmente falando). Nada como a criatividade boba para fazer as coisas darem certo, e nada como tirar um sorriso da pessoa que você gosta, principalmente nos dias em que ela mais negar felicidade. Da mesma forma que beijá-la quando ela negar afeto pode ser bom, mesmo ela te odiando por isso. Mostre que se importa, mesmo se ela não se importar...